A Lei chama Maria da Penha mas o Judiciário chama João de Deus…

Em 2020 a Lei Maria da Penha completa 13 anos e o que temos visto nos noticiários é um aumento  de feminicídio a cada ano. 

Segundo a matéria publicada pela Agência Brasil de notícias a  cada dez feminicídios cometidos em 23 países da América Latina e Caribe em 2017, quatro ocorreram no Brasil. 

As informações da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), ao menos 2.795 mulheres foram assassinadas na região, no ano retrasado, em razão de sua identidade de gênero. Desse total, 1.133 foram registrados no Brasil. 

A comissão Interamericana de direitos humanos afirma que 126 mulheres foram mortas no Brasil desde o começo do ano em razão do seu gênero, além de 67 tentativas de  homicídios.

Isso tudo mesmo com a Lei Maria da Penha em vigor desde 2006.

A violência contra a mulher acontece em casa e tem várias facetas o que faz com que a própria mulher não reconheça no seu parceiro um agressor. 

A princípio ela até se sente elogiada quando ele grita com ela por quê o vizinho pediu emprestado uma furadeira. Ela se justifica dizendo que ele é louco por ela e morre de ciúmes.

E assim ela vai se enganando e dando poder ao seu parceiro.

 Ele grita, xinga, joga as coisas no chão e ela continua se justificando que ele é estourado, teve problemas no trabalho e morre de ciúmes dela.

Assim a vida segue e ela não se dá conta que já é uma vítima de agressão, primeiro vem a agressão verbal  que na maioria das  vezes dói mais que um tapa na cara.

Depois ele começa a levar essas agressões pra fora de casa e grita com ela na frente de qualquer pessoa, a humilha e envergonha.

Então quando ela percebe o medo já tomou conta dela  fazendo com que se submeta às vontades do seu agressor.

Até que um dia ele vai além, ele bate nela e ainda ameaça que se ela falar pra alguém ele a mata ou pior irá matar seus filhos. Ela não lembra da Lei Maria da Penha porque o medo é maior.

Os dias vão passando e ela vai se afundando cada vez mais, cheia de medo e insegurança. 

Depois de defender seus filhos e levar muitos murros na cara ela vai na delegacia da mulher e o delegado a trata com desdém, pouco ouve o que ela tem pra falar.

A primeira pergunta que ele faz é o que ela fez para que seu companheiro tivesse aquela reação.

Ele faz o BO, e ela vai embora certa que o pior virá, mas ela não tem o apoio necessário para botar a boca no trombone.

No outro dia o companheiro recebe uma notificação, enche ela de porrada e no dia seguinte ela vai retirar a queixa pra não morrer.

Um mês depois ela é encontrada morta dentro de um carro toda esfaqueada. Quem fez tal atrocidade? Sim o companheiro.

Segundo artigo publicado pela Folha de São Paulo sobre uma recente pesquisa qualitativa feita pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o judiciário faz perguntas onde tenta colocar a culpa nas mulheres em relação às violências sofridas, há um caso em que o juiz saiu da sala na hora que a vítima contava sobre o ocorrido. Pouco caso absoluto!

E se fosse com a mãe ou a filha dele? 

Infelizmente estamos vivendo em um mundo que as pessoas fecham os olhos para o problemas dos outros e a justiça que não poderia ser cega vai de mal a pior.

Quem vai ter medo de uma justiça que coloca um monstro como o médico Roger Abdelmassih em prisão domiciliar vivendo em um apartamento de luxo em São Paulo? 

Quem vai acreditar em uma justiça que deixa o Nardone que matou a filha covardemente sair no indulto do Dia dos Pais?

Fica difícil não  é mesmo?

 A pesquisa também mostrou o que muitas mulheres sabem pouco ou quase nada sobre a lei Maria da Penha, elas apenas ouviram na TV ou na novela sobre ela.

Confira a matéria na íntegra  aqui.

Sentir-se vulnerável diante de homens agressivos é uma situação tão comum na vida das mulheres. Isto ficou bem claro com a triste história do “santo milagroso” João de Deus.

Que monstro é esse?

A situação de abuso era tão imprópria no contexto de ir ser curada e não abusada, que as mulheres saiam envergonhadas de lá e com medo de se expor e a justiça mais uma vez não enxergava a verdade.

Foi preciso dezenas de vítimas contarem suas histórias para que ele fosse preso realmente.

 Assim continuamos no mesmo arroz com feijão,13 anos se passaram com a Lei Maria da Penha, a tecnologia evolui fantasticamente mas o ser humano consegue regredir a cada dia.

Continuamos vivendo em um país onde o machismo predomina, onde o preconceito ainda mata pessoas inocentes que só querem ser felizes.

Espero que nos próximos anos mais mulheres possam ser educadas para identificar e se libertar de seus agressores e que mais homens entendam que as pessoas são seres humanos independente de gênero, raça e religião.

E que nosso judiciário tire a venda e faça seu trabalho como tem que ser feito! Com justiça!

Você já passou por uma situação de violência? Me conte sua história.

Mande um e-mail para contato@poderosadepoisdos50.com e vamos trocar uma ideia.

 

 

 

 

 

Sobre o autor | Website

Cinquentona com muito orgulho, nasci na cidade de São Paulo há uma hora e trinta minutos do dia 17 de outubro de 1962 sob o signo de libra com ascendente em leão. Em busca de uma melhor qualidade vida me mudei há 6 anos para a linda Floripa em SC. Jornalista, assessora de mídias sociais e comunicação; consultora de imagem e numerologia pessoa e empresarial. Sempre preocupada com o que o homem não tem domínio, nas horas vagas me dediquei aos tratamentos holísticos. Sou mãe de duas “pequenas grandes” mulheres de 13 e 19 anos que me ensinam todo dia a ver o mundo por todos os ângulos. Tenho dois cachorros e três gatos que me ensinam todo dia que o verdadeiro amor não pede nada em troca. Viver um dia de cada vez e ser feliz! Esse é meu lema! Bem vindos a minha vida!

Para enviar seu comentário, preencha os campos abaixo:

Deixe um comentário

3 Comentários

  1. Trudy disse:

    Yes! Finally someone writes about website.

  2. Francis disse:

    No matter if some one searches for his vital thing, so he/she
    wants to be available that in detail, so that
    thing is maintained over here.

  3. Justina disse:

    I for all time emailed this website post page to all my contacts, because
    if like to read it then my friends will too.